"Sempre vai existir essa incansável busca por alguém que escute suas histórias, seus medos, seus fracassos, seus sonhos.. que lhe escute. Não é fácil encontrar, mas não é impossível, não é rápido , mas também não é eterna a busca. Um dia você encontra uma voz doce que te acalma, alguém que sorri pra você e te abraça sem ao menos se mover, encontra um olhar terno que te faz derreter só de olhar, encontra palavras que sempre quis escutar, que sempre disse, mas não costumavam dizer pra você. Quando isso acontecer , agarre, cuide .. porque você acabou de encontrar seu mais lindo esconderijo" -

whatever .

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Fechado para balanço!

Nunca deixe que lhe digam que não vale apena acreditar no sonho que se tem, e que seus planos nunca vão dar certo, e que você nunca vai ser alguém..
Um ano se passou e Luiza, regressou das férias sem esperança. Tudo que ela queria era sair daquela vida de foca sem rumo. (sim porque toda foca é sem rumo, não sabe quando vai poder deixar de buscar informações pra matéria dos outros, quando vai poder ter voz pra dar opiniões) Tudo que um foca quer é poder ser reconhecido pela sociedade como jornalista.) Correr o dia todo sob sol ardendo nos ombros, sem contar dos inúmeros banhos de chuva pra conseguir informações impossíveis por telefone, fax, ou e-mail (algumas pessoas, simplesmente não se interessavam e nem se comprometiam de repassar conteúdo antes do fechamento, ou do xingamento do chefe. As coisas eram meio difíceis.  E Luiza afirma que a considerada “era digital”, funcionaria melhor se fosse no tempo das carruagens de fogo. Por entre tanta correria diária ( diária, noturna, fins de semana), e compromissos pessoais todos comprometidos, seu salário de foca assumida não aumentava, mas o grau dos seus óculos sim.
Por entre tanta irritação, estressamento, nos péssimos dias em que  tinha que insistir falar com pessoas sem paciência, arrogantes, e auto-suficientes, Luiza teve também, bons momentos naquele meio jornalístico. Viagens à Porto Alegre na Famurs e no Palácio da República sempre foram histórias importantes para se contar. Ainda mais quando se tinha a criatividade de registrar a sua cara nada ética na frente daqueles velhos andares.  Quando havia entrevistas com políticos influentes ninguém reparava suas pernas tremendo embaixo da mesa, e ela se perguntando ainda porque o chefe havia a colocado nesta empreitada. E era bom, era legal, não entender nada de política,  estar naquela situação era extraordinário.  Em meio à tantas pessoas que conheceu profissionalmente, achou bom ter percebido que algumas delas simplesmente são, malucas,  e nem tanto mais maduras que ela. Certas pessoas, na opinião dela (quase formada) nem mereciam o CC que tinham.
O que à consolava era que alguns  colegas de outros jornais, também se encontravam na mesma situação. Se bem que derrepente um pouco mais seguros de si. (mas e quem disse que eles sabiam o que estavam fazendo sempre?)
Depois de se passar um ano, e Luiza conseguir tirar férias por quinze dias, e voltar, perdeu aquela visão de que trabalhar em jornal era ter um a vida glamourosa. Pelo contrario, era bater muito tênis na rua e muito pouco salto alto. Era sair levemente perfumada de casa e saber que sua tentativa de boa aparência acabaria assim que você chegasse na sala do prefeito. Trabalhar em jornal era tentar não parecer inocente. Era ter que ter ousadia e ao mesmo tempo muito critério. Era não conseguir ir à missa no “suposto” final de expediente. Era também claro discutir com o namorado pelos tantos eventos que teria que cobrir sozinha. Era poder ver a família quase regularmente nos finais de semana. ( dizem que para os não-mais-focas, a situação piora) Era ter consigo poucos amigos e muitos educados e pucha-sacos, que, saiam nas fotos com uma cara tão falsa quanto aquele sorriso. Era se iludir com a faculdade, que lhe contava sobre o mundo cor-de rosa da profissão. Mas também era... ter que aprender na marra a ter atenção, e interpretar seus próprios textos pelos leitores, e acima de tudo ter que escrever imitando sua chefe, porque claro que ela nunca vai confiar totalmente no seu taco. E como ela escrevia bem. Luiza tinha que admitir. O que ela esperava tanto era poder, ter um voto de reconhecimento dela, um yes! Um certo! Um, "não precisa melhorar"!Trabalhar num jornal era ter que esquecer as inspirações e escrever muitos assuntos chatos.
O bom, era somar todas essas dificuldades no final e ver que lhe trouxeram aprendizagem. Sua esperança é poder deixar de ser foca, ou se nada der certo virar jornalista.  E se quem sabe tudo der errado, mesmo assim daria muito certo, ela seria simplesmente cantora de fundo de quintal. E teria uma vida um pouco mais disrregrada.