Profissão: jornalista em experiência, repórter.
Lembrei-me que, da infância até a adolescência meus pais não cansavam de dizer, “filha estudo deve ser prioridade! O resto vem depois!”
- Só depois do que? Eu pensava. Trabalho sempre foi minha prioridade desde os dezessete anos. Até porque eu preciso pagar a faculdade.
Nesta idade trabalhei num jornal de interior, mas não tinha nem noção do que era, entregar matérias no prazo, entrevistar pessoas difíceis, ah, e nem se quer cumprir horário, (hoje eu só sei o que é fazer hora extra de graça, nos vários eventos pra cobrir à noite e finais de semana), mas enfim, serviu para começar a ver o mundo de um modo um pouco diferente, do que aquele olhar de criança. “Tempos difíceis” eu resumiria hoje. Fase boa da juventude, como dizia minha mãe, era ter disposição para trabalhar, fazer projetos, sonhar alto. Não seria fase para extravasar, aproveitar, despreocupar, curtir, ir para a balada, fazer grandes amigos e viver grandes histórias com eles, dançar até não poder mais, E eu também nunca me dei o direito de pensar que deveria ser assim. A preocupação sempre foi minha companheira de conduta. Soltar a mente e os músculos? Isso era tarefa para adulto bem resolvido. Voltando a conversa... depois do jornal de interior, entrei desesperada com um salário bem mínimo, como caixa de um supermercado. Lá, as filas de compras, os clientes sem paciência (e com razão) e os resultados finais que nunca batiam, era com que eu tinha pesadelos todas as noites.
Quando “acordei”, passei um tempinho trabalhando no meio dos livros, numa livraria legal. Até enfim conseguir entrar em outro jornal no município de Marau. Este ainda me trás pequenas dores de cabeça. Tanto, que, meu twitter certa vez teve frases como “Achei que estivesse no caminho certo há dois anos atrás”, ou “ gostaria de pensar que fosse só mais uma fase , mas não é” Então veio a resposta de uma jornalista admirável: “ É sempre assim Kelly! Nada como um dia depois do outro” É, ela pode ter razão, e eu, tenho o direito de continuar com minhas incertezas. Hoje, com um mínimo de vivência tenho a consciência de que jornalismo na prática é outra coisa. Quem sabe seja apenas como a vida, vezes convivemos com pessoas prepotentes, vezes se estressamos pelas incompreensões, ainda, por vezes queremos desistir de tudo e seguir por outro chão, mas claro, não desistimos mesmo assim. Em meio a tudo somos felizes, e aprendemos coisas inimagináveis.
Eu já cantei em casamentos e em pub, já tive medo de perder, chorei de medo em aula, peguei muita chuva, já fui muito engênua, já perdi pessoas especiais, valorizo a família, o calor humano, o meu cachorro, e também aprendi a amar. Ah! Também já pensei em ganhar a vida como cantora.
Experiência: tenho muitas.. você tem tempo o bastante pra me ouvir?
Você não vai acreditar, eu faço parte de um outro universo, e terei grandes histórias pra contar se Deus permitir que eu veja a vida com outros olhos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário