"Sempre vai existir essa incansável busca por alguém que escute suas histórias, seus medos, seus fracassos, seus sonhos.. que lhe escute. Não é fácil encontrar, mas não é impossível, não é rápido , mas também não é eterna a busca. Um dia você encontra uma voz doce que te acalma, alguém que sorri pra você e te abraça sem ao menos se mover, encontra um olhar terno que te faz derreter só de olhar, encontra palavras que sempre quis escutar, que sempre disse, mas não costumavam dizer pra você. Quando isso acontecer , agarre, cuide .. porque você acabou de encontrar seu mais lindo esconderijo" -

whatever .

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O que me fez cursar Jornalismo

O que me fez cursar Jornalismo? Não sei até hoje. Mas sei, que quando chegou o momento do vestibular, tive um surto de nostalgia misturada com loucura. Na mesma época estava com um pé na faculdade de música. Ela sempre me fascinou, mas de qualquer forma, hoje estaria percorrendo os corredores da Faculdade de Artes e Comunicação da UPF.
Com o tempo, fui seduzida pelo cheiro de café forte, pelos laboratórios de fotografia e vídeo, e que mal convém falar, pelas pessoas de diferentes estilos que se instalavam naquelas escadarias cheias de história para contar.
Hoje, ainda tento descobrir o que me motivou a tomar esta decisão. A verdade é que tive um surto de homem aranha. Quem a essa altura do campeonato, se arriscaria, passar domingos e feriados cobrindo acidentes de trânsito, madrugando na redação? Existe duas versões: a versão do jornalista que ama sua profissão ama café, é um alcoólatra consolidado, E sua vida é a rua, a redação do jornal, o bar e a máquina fotográfica. A outra versão, não deve ser comentada porquê é aquela mais realista. E como todo jornalista, a realidade não é a melhor aliada nesta hora.
Certa leitura que fiz uma vez, me relembra claramente da trágica idéia
de um escritor sobre o jornalista. Segundo ele, não terás vida pessoal, familiar ou sentimental, nem feriados e fins de semana. Sem contar que ganhará muito pouco, não terás promoção, nem perspectiva de melhoria. Terás pesadelos com horários de fechamento, palavras escritas erradas, e olheiras e mau humor serão teu troféu de guerra.
Aí está a diferença entre as rotinas na FAC e a futura rotina de trabalho. A verdade é que a crença que se criou em torno do jornalismo, perdurou. Se fosse tudo isso mesmo, não existiria atuantes nessa área, existiria apenas internet e fofoqueiros de plantão, isto bastaria para mover as informações na sociedade. O que se faz com amor, não se desfaz com esta lenda. Tudo que aqueles corredores fizeram foi fortalecer meu desejo de escrever. Escrever sobre o mundo, sobre as mentiras que sustentam a humanidade. Quando era mais nova, sentia necessidade apenas, de saber como fazer amizades e mante-las, como sustentar ideias sem me contradizer. Inocente queria saber como fazer para ter certezas, precisava urgentemente que me dissessem o que fazer com com a parte de mim inaceitável pelo mundo.
Hoje, sem garras, ou teia, tenho o dever de enfrentar a rotina jornalística, e levar a sério, levando em consideração a ética e as diferentes formas de pensar; o que não são conquistadas entre aquelas paredes cheias de humor da faculdade. E mesmo assim a “lenda”, do velho escritor continua afirmando: “E mesmo assim, depois de tudo,haverá uma legião de focas querendo ocupar o seu lugar”.

Mãe é mãe

O que dizer da minha mãe...
Pra começara a  mãe não é minha... ela é uma parte de mim.. uma grande parte eu diria..
Inevitavelmente me tornei parte da sua personalidade. Aderi aos seus medos, ao seu jeito, e claro até aos seus problemas..
Não me queixo por isso. Percebi que sou como ela no momento que comecei a ter problemas psicológicos sérios. O que eu vejo de minha mãe, é que ela precisa de atenção, necessita ser compreendida. Quando ia na psicóloga e ficava sentada horas naquele sofá falando para aquela mulher estranha, percebi um longo tempo depois que todas as vezes que eu descrevia minha mãe pra ela, eu tava descrevendo eu mesma.
Ai estava o ponto das nossas brigas, eu não conseguia compreender certas atitudes da minha mãe, tudo nela me irritava.
Após eu mudar de cidade, e me afastar significativamente do convívio dela, os desentendimentos acabaram. Passei a vê-la com outros olhos.
Uma pessoa nunca conseguiu atingir os dois extremos comigo como ela: quero dizer, eu já odiei com todas as minhas forças e já solucei imaginando a sua perda.
Eu entendo seu jeito, ela foi criada numa família em que carinho e amizade com os filhos era besteira. Por isso que pra mim ganhar um abraço, um beijo dela é muito difícil. Mas no momento que comecei a fazer isso, ela se derrete, sabe porque? Porque mesmo que não pareça, ela sente falta disso também.
A vida fora do convívio familiar é um tanto complicada, mais complicada ainda era quando eu podia estar no convívio familiar...
O bom da historia é que hoje consigo valorizar mais os meus pais, eles são o que de mais importante eu tenho, só não sabemos por quanto tempo.
Ainda mesmo longe, nos fins de semana, quando retorno para “minha casa”, consigo discutir feio com ela.. Me deixa irritada vê-la com sérios problemas e não querer se ajudar.. na verdade eu nunca consegui entender certas coisas que se  passa com ela. Literalmente consegue deixar alguém louco em quinze minutos. Mas eu juro que um dia eu aprendo  lidar melhor com isso.
Eu amo a minha mãe. No fundo ela se sente sozinha la, não sei direito.
Espero poder aproveitar meus pais antes que eles tenham ido embora. Não da pra dizer: Ah! Eu.. lembrarei com carinho das pessoas que me deram a vida, que me amaram acima de tudo e de todos.
Não, eu não apenas lembrarei com carinho, eu ganharia um buraco dentro de mim muito grande, porque parte de mim iria embora com eles.
Eu desisti de tentar entender minha mãe, isso seria em vão.
Prometo que vou tentar amá-la, aproveita-la, dar a ela o carinho que não teve.
Essa expressão sofrida não pode permanecer no rosto dela, não me deixa feliz.
Ontem voltei pra cidade arrependida. Consegui com toda a minha vontade deixa-la mais mal do que aparentemente já estava.
Espero poder concertar meu erro, e aprender a ter mais paciência, calar quando sentir vontade de explodir, e dar um abraço silencioso quando pensar em tirar satisfações.
Não poderia imaginar escrever essa mensagem póstuma, minha mãe não se foi, ela está comigo pra que eu possa voltar atrás nos meus atos, rever conceitos, e perceber que a vida não volta pra mim concertar as besteiras, nem mesmo as pessoas.
Eu não sou perfeita, sou humana, e independente das pessoas que meus pais são, eles sempre serão a maior caracterização de amor que eu já tive, e isso, isso compensa qualquer explicação.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Quando escrever, não esmague com palavras as entrelinhas.. disse uma vez minha querida Clarice