"Sempre vai existir essa incansável busca por alguém que escute suas histórias, seus medos, seus fracassos, seus sonhos.. que lhe escute. Não é fácil encontrar, mas não é impossível, não é rápido , mas também não é eterna a busca. Um dia você encontra uma voz doce que te acalma, alguém que sorri pra você e te abraça sem ao menos se mover, encontra um olhar terno que te faz derreter só de olhar, encontra palavras que sempre quis escutar, que sempre disse, mas não costumavam dizer pra você. Quando isso acontecer , agarre, cuide .. porque você acabou de encontrar seu mais lindo esconderijo" -

whatever .

terça-feira, 29 de março de 2011

Fim de semana..fim de festa.. e de repente...

fim de vida! Cena chocante ter que aprender conviver com o absurdo dos acidentes de trânsito que de maneira implícita fazem vítimas fatais. Vítimas essas que passam a ser parentes próximos pessoas que em ultimo caso morreriam destroçadas presas nas ferragens de um veículo.
Realidade esta que acontece quase diariamente em cidades consideradas interioranas. Então forma-se a pergunta se, são as pessoas que se tornaram mais imprudentes, ou se foi pelo fato da urbanização ter formado pessoas cada vez mais apressadas para suas rotinas de cada dia.

Não há uma explicação ideal para esta constatação. Tomara fosse menor a contagem de morte de jovens que a bebida e a condução perigosa de automóveis causam apenas em fins de semana. Fim de semana, fim de festa, fim de vida. O que faz alguém pensar que um herói se cria a 150 km por hora?
Depois a ilusão de que é possível manter reflexos e condições físicas para manter-se seguro em meio ao trânsito apressado e irrelevante.
A grande maioria das mortes em acidentes de trânsito se fazem com jovens que recentemente tiraram a carteira de habilitação e que não demora acham que tenham a vida nas mãos. “Cheios de vida, cheios de segurança, e acima de qualquer suspeita: Ilimitados!!! Não há limites para a vida!!!” Então também não há limites para os pais, não há limites para a diversão!! O que é diversão?? E essa pergunta gera outra: o que é educação para pais? O erro não passa a ser tanto a imprudência no trânsito. O grande erro, passa a ser, a falha na educação!!! Constitui-se então a ideia de que acidente, não é um acidente!!! Literalmente não é!! Acidente é simplesmente um atitude proposital de pais, familiares, que inconscientemente sabem das reais consequências. Mas não, elas nunca chegam, até os filhos!
Vários pontos neste questionamento devem ser analisados. Todos sabem que pessoas morrem todos os dias vítimas do trânsito. Mas ninguém consegue imaginar quem será a próxima vítima. A próxima vítima é a imprudência, a próxima vítima é a do álcool, a próxima vítima é a do descuido alheio, mas a próxima vítima pode ser daquela família que achou que um acidente, era apenas um acidente, e que nada poderia ser feito a respeito, a não ser tentar salvar uma vida já sem concerto.
O Poder Público pode tomar providências para tentar reduzir o nível de fatalidades. Pode duplicar perimetrais, mudar trajetos, tentar controlar as danificações nas pistas, mas chega de culpar a política... o Estado pela imprudência das pessoas. Para quem gosta de velocidade, é difícil se adaptar depois em andar a seis quilômetros por hora numa cadeira de rodas. Nunca irá ser resolvido o drástico número de acidentes enquanto não pararem de pensar que as pistas têm o dever de fazer milagres

quinta-feira, 24 de março de 2011

Para uma menina com uma flor

Um dos textos mais doces e sinsíveis que já li, do grande Vinicius de Moraes.



Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí sim você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta pensando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

quinta-feira, 17 de março de 2011




"Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza."

Caio Fernando De Abreu

quarta-feira, 2 de março de 2011

Rasgando o currículo

Profissão: jornalista em experiência, repórter.
 Lembrei-me que, da infância até a adolescência meus pais não cansavam de dizer, “filha estudo deve ser prioridade! O resto vem depois!”
 - Só depois do que? Eu pensava. Trabalho sempre foi minha prioridade desde os dezessete anos. Até porque eu preciso pagar a faculdade.
Nesta idade trabalhei num jornal de interior, mas não tinha nem noção do que era, entregar matérias no prazo, entrevistar pessoas difíceis, ah, e nem se quer cumprir horário, (hoje eu só sei o que é fazer hora extra de graça, nos vários eventos pra cobrir à noite e finais de semana), mas enfim, serviu para começar a ver o mundo de um modo um pouco diferente, do que aquele olhar de criança.  “Tempos difíceis” eu resumiria hoje. Fase boa da juventude, como dizia minha mãe, era ter disposição para trabalhar, fazer projetos, sonhar alto. Não seria fase para extravasar, aproveitar, despreocupar, curtir, ir para a balada, fazer grandes amigos e viver grandes histórias com eles, dançar até não poder mais, E eu também nunca me dei o direito de pensar que deveria ser assim. A preocupação sempre foi minha companheira de conduta.  Soltar a mente e os músculos? Isso era tarefa para adulto bem resolvido.
Voltando a conversa... depois do jornal de interior, entrei desesperada com um salário bem mínimo, como caixa de um supermercado. Lá, as filas de compras, os clientes sem paciência (e com razão) e os resultados finais que nunca batiam, era com que eu tinha pesadelos todas as noites.
Quando “acordei”, passei um tempinho trabalhando no meio dos livros, numa livraria legal. Até enfim conseguir entrar em outro jornal no município de Marau. Este ainda me trás pequenas dores de cabeça. Tanto, que, meu twitter certa vez teve frases como “Achei que estivesse no caminho certo há dois anos atrás”, ou “ gostaria de pensar que fosse só mais uma fase , mas não é” Então veio a resposta de uma jornalista admirável: “ É sempre assim Kelly! Nada como um dia depois do outro” É, ela pode ter razão, e eu, tenho o direito de continuar com minhas incertezas. Hoje, com um mínimo de vivência tenho a consciência de que jornalismo na prática é outra coisa. Quem sabe seja apenas como a vida, vezes convivemos com pessoas prepotentes, vezes se estressamos pelas incompreensões, ainda, por vezes queremos desistir de tudo e seguir por outro chão, mas claro, não desistimos mesmo assim. Em meio a tudo somos felizes,  e aprendemos coisas inimagináveis.
Eu já cantei em casamentos e em pub, já tive medo de perder, chorei de medo em aula, peguei muita chuva, já fui muito engênua, já perdi pessoas especiais, valorizo  a família, o calor humano, o meu cachorro, e também aprendi a amar. Ah! Também já pensei em ganhar a vida como cantora.
Experiência: tenho muitas.. você tem tempo o bastante pra me ouvir?

Você não vai acreditar, eu faço parte de um outro universo, e terei grandes histórias pra contar se Deus permitir que eu veja a vida com outros olhos.