"Sempre vai existir essa incansável busca por alguém que escute suas histórias, seus medos, seus fracassos, seus sonhos.. que lhe escute. Não é fácil encontrar, mas não é impossível, não é rápido , mas também não é eterna a busca. Um dia você encontra uma voz doce que te acalma, alguém que sorri pra você e te abraça sem ao menos se mover, encontra um olhar terno que te faz derreter só de olhar, encontra palavras que sempre quis escutar, que sempre disse, mas não costumavam dizer pra você. Quando isso acontecer , agarre, cuide .. porque você acabou de encontrar seu mais lindo esconderijo" -

whatever .

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mãe é mãe

O que dizer da minha mãe...
Pra começara a  mãe não é minha... ela é uma parte de mim.. uma grande parte eu diria..
Inevitavelmente me tornei parte da sua personalidade. Aderi aos seus medos, ao seu jeito, e claro até aos seus problemas..
Não me queixo por isso. Percebi que sou como ela no momento que comecei a ter problemas psicológicos sérios. O que eu vejo de minha mãe, é que ela precisa de atenção, necessita ser compreendida. Quando ia na psicóloga e ficava sentada horas naquele sofá falando para aquela mulher estranha, percebi um longo tempo depois que todas as vezes que eu descrevia minha mãe pra ela, eu tava descrevendo eu mesma.
Ai estava o ponto das nossas brigas, eu não conseguia compreender certas atitudes da minha mãe, tudo nela me irritava.
Após eu mudar de cidade, e me afastar significativamente do convívio dela, os desentendimentos acabaram. Passei a vê-la com outros olhos.
Uma pessoa nunca conseguiu atingir os dois extremos comigo como ela: quero dizer, eu já odiei com todas as minhas forças e já solucei imaginando a sua perda.
Eu entendo seu jeito, ela foi criada numa família em que carinho e amizade com os filhos era besteira. Por isso que pra mim ganhar um abraço, um beijo dela é muito difícil. Mas no momento que comecei a fazer isso, ela se derrete, sabe porque? Porque mesmo que não pareça, ela sente falta disso também.
A vida fora do convívio familiar é um tanto complicada, mais complicada ainda era quando eu podia estar no convívio familiar...
O bom da historia é que hoje consigo valorizar mais os meus pais, eles são o que de mais importante eu tenho, só não sabemos por quanto tempo.
Ainda mesmo longe, nos fins de semana, quando retorno para “minha casa”, consigo discutir feio com ela.. Me deixa irritada vê-la com sérios problemas e não querer se ajudar.. na verdade eu nunca consegui entender certas coisas que se  passa com ela. Literalmente consegue deixar alguém louco em quinze minutos. Mas eu juro que um dia eu aprendo  lidar melhor com isso.
Eu amo a minha mãe. No fundo ela se sente sozinha la, não sei direito.
Espero poder aproveitar meus pais antes que eles tenham ido embora. Não da pra dizer: Ah! Eu.. lembrarei com carinho das pessoas que me deram a vida, que me amaram acima de tudo e de todos.
Não, eu não apenas lembrarei com carinho, eu ganharia um buraco dentro de mim muito grande, porque parte de mim iria embora com eles.
Eu desisti de tentar entender minha mãe, isso seria em vão.
Prometo que vou tentar amá-la, aproveita-la, dar a ela o carinho que não teve.
Essa expressão sofrida não pode permanecer no rosto dela, não me deixa feliz.
Ontem voltei pra cidade arrependida. Consegui com toda a minha vontade deixa-la mais mal do que aparentemente já estava.
Espero poder concertar meu erro, e aprender a ter mais paciência, calar quando sentir vontade de explodir, e dar um abraço silencioso quando pensar em tirar satisfações.
Não poderia imaginar escrever essa mensagem póstuma, minha mãe não se foi, ela está comigo pra que eu possa voltar atrás nos meus atos, rever conceitos, e perceber que a vida não volta pra mim concertar as besteiras, nem mesmo as pessoas.
Eu não sou perfeita, sou humana, e independente das pessoas que meus pais são, eles sempre serão a maior caracterização de amor que eu já tive, e isso, isso compensa qualquer explicação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário